segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Diálogo

- Apaga isso, garoto! O garçon vai pedir pra gente ir embora.
- Por que?
- Porque agora é lei.
- Se não pode mais fumar aqui dentro pra quê esses cinzeiros nas mesas?
- Pois é... Vamos levar de lembrança?

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Fingimento

Eu inventei todas as verdades que te disse
e foi tudo de coração
porque eu quis te alegrar
gosto de te ver sorrir
e quero te ver feliz

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Diálogo

- Olha o que eu comprei!
- Grandes merdas.
- Poxa, eu tinha comprado pra você...

Canção

Disse que não vinha mas veio
e eu já não esperava
o presente que eu comprei tinha descido na desgarga
E eu nem quis abrir a porta com medo de mim
Eu não quis reabrir a porta depois do fim

Restava ainda meia garrafa aberta
e as chaves jogadas em cima da mesa
Mas meu olhar já estava perdido numa janela de um outro prédio

Comprei uma camiseta branca
desenhei um coração
e escrevi assim:
você não entra mais aqui

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

20 de novembro

Vamos alisar nossos cabelos
Vamos fazer uma plástica no nariz
Vamos seguir um deus embranquecido
Vamos chamar os ritmos que não negam os tambores africanos de sub-cultura
Vamos nos esforçar para ficar cada vez mais próximos de padrões euroaceitáveis
Vamos lá!
Vamos comemorar o dia da Consciência Negra 

domingo, 15 de novembro de 2009

Voz no ouvido

Lá pro meio da madrugada
eu já nem prestava mais atenção no que ouvia
só sei que ele ia tirando as palavras
como se fosse um strip tease

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Diálogo

- Você devia parar de fumar.
- Tá bom, vou lá fora acender um cigarro pra pensar melhor sobre isso.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Entre cigarros e Halls

As nuvens correm rápido
em meio as estrelas
o tempo passa
Os pássaros noturnos
se perdem no início da madrugada
os copos se esvaziam
As ruas começam a ficar solitárias
algumas pessoas passam
Encontro um pequeno álbum de fotos
com retratos velhos

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Certas coisas



quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Simples

Dentro da geladeira
Como se estivesse se escondendo atrás de algumas garrafas
Encontrei uma caixa esquecida há muito tempo
Dentro dela ainda havia um bombom
Era um coração frio, gelado

E tudo foi muito simples.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Cinzas

Foi então que, num rompante,
no meio da madrugada
deu um pulo da cama
e abriu vorazmente a gaveta do armário
sem pensar duas vezes
juntou todas suas cartas e bilhetes,
que ela havia guardado por todo esse tempo.

O fogo durou menos de cinco minutos.

sábado, 26 de setembro de 2009

Planos bebados

Então eu pensei que
de repente a gente podia
sentar num barzinho do centro
pedir uma cerveja ou uma cachacinha com limão
conversar e rir das desgraças da vida
e ver as luzes que colorem a ponte
enquanto os pingos da chuva
caem na poça coloca ao meio fio

Talvez voltassemos abraçadinhos
caminhando lerdamente pela beira do canal
cantando músicas desafinadas
e torcendo pro dia amanhecer ensolarado

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

A feia na vitrine

Deitada na cama, sozinha
Ela assistia um programa sobre cirurgia plástica na TV
Algum tempo depois, levantou
Olhou-se no espelho do banheiro
Passou pela cozinha e resolveu beber um copo d'água
Reparou que havia uma faca em cima da pia
Foi então que, ainda segurando o copo, revelou baixinho:
- Van Gogh me entederia.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Canções de Sá

Sá,
Sabe-se lá se 'ce sabe 
assoviar as músicas que eu gosto...?

Sa de saborear,
de sentir e de beijar
só pra provar seu gosto

Sá,
sabe-se lá se eu vou estar aqui quando você voltar?
 

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Praia das Dunas

Gosto desse céu azul-sorrindo
contrastando com o branco-calmo da areia 
e do mar azul-confuso que não sabe se é verde
batendo no acizentado meio marrom das pedras 

sábado, 15 de agosto de 2009

Bossa nova

Poetinha,
ele dói em paz,
sem guerras
E mesmo em Ipanema 
só resta uma bandeira
com o desenho de um coração
que não bate mais em ninguém

domingo, 9 de agosto de 2009

Novamente agosto

Procuro algo 

que me tire o paladar

pra desimpregnar de mim o teu gosto

Procuro alguém

que faça eu esquecer

que vivi esse desgosto

Procuro o antídoto

porque bebi esse veneno

que me foi imposto

Procuro um cara

que retire da minha mente o seu rosto

Mas é novamente agosto.

Novamente agosto...

sexta-feira, 10 de julho de 2009

D de Dedos

Os dedos já não querem mais tocar o piano

Já não querem mais ser geradores de música e risos

Desejam apenas ser dedos

E se meterem onde não são chamados

E ocasionalmente serem metidos onde são convidados

São apenas dedos.

sábado, 4 de julho de 2009

Estrada

Parta a sorte em duas partes
Pegue uma e vá embora
Deixe uma parte da sorte para trás
E caminhe com suas próprias pernas
Buscando desafios
Ponha a mochila nas costas
E o pé na estrada.

domingo, 28 de junho de 2009

Feridas clichê

Já que o Merthiolate não arde mais
talvez agora eu possa usá-lo
para curar as feridas ainda abertas
que sangram toda vez que meu coração bate
e assim, finalmente, tirar esse band-aid
Porque coração com curativo 
além de doer, fica muito feio...

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Creep IV

Quando você cair
eu vou te ajudar
vou te estender a mão
e te mostrar o caminho

Caminharei à sua frente
limparei sua estrada
chutarei as pedras
e taparei os buracos

Enfrentarei todos os seus medos
não existe o que temer,
vou estar ao seu lado

E se mesmo assim você se machucar
posso cuidar de você...

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Deixe para depois

Deixe pra amanhã
Aquilo que você queria fazer agora

Porque agora você está de cabeça quente
E possivelmente fará merda

Mas amanhã, logo pela manhãzinha
Você verá o sol nascendo,
Ouvirá os pássaros cantando
Caminhará pela areia da praia
E isso vai te fazer espairecer.

Vai por mim,
Deixa pra depois...

Ah, o amor!

O Amor se acostumou a sair armado com suas flexas envenenadas disparando a torto e a direito com seu arco promotor de corações apaixonados. Mas um dia ele parou para analisar seus feitos e percebeu que causava muita confusão, então resolveu se desarmar.

Decidiu o tal do Eros que daquele dia em diante iria "reparar" os disparos feitos só de pirraça, aqueles para os quais ele sequer mirara o alvo e também os que por algum outro motivo lhe causaram arrependendimento.

Saiu convencido de que resolveria tudo muito facilmente, mas no caminho da empreitada tropeçou numa das pedras da estrada e deu de cara com um pivete curioso que logo quis saber quem ele era e o que estava fazendo naquelas bandas.

- Sou o Eros, vulgo Cupido, o deus do amor. Sou eu o responsável por fazer as pessoas cairem de amores. Estou aqui porque andei formando uns casais errados, fiz um monte de pessoas amar quem não deveriam. Vim para desfazer o efeito do amor.

O menino gargalhou e disse:

- Para quem se diz um deus, você não sabe de nada! Cupido, você até pode se desarmar, mas nunca fará ninguém desamar. Amor é pra sempre.

Então Eros voltou pra casa, colocou novamente seu arco nas costas e entendeu que aquela era sua missão.




Moral roxa da história: É amor? Então fodeu! Ou não...