7 de mai de 2011

"Não desiste"


- Não desiste.
Foi o que ele disse.
Lembro disso todas as vezes que penso em desistir. E suas palavras me dão forças sempre que meus braços já mal conseguem sustentar os remos. Os remos! Por que fui escolher essa metáfora?! Subo no mirante para olhar as ondas quebrando nas pedras até que um remador passa com sua canoa pela Boca da Barra e me tira toda atenção. Se continuar remando assim, pode não ter forças para ir contra a correnteza mais a frente. Continuo acompanhando suas remadas. Será que ele fará a curva? Será que continuará remando depois que encontrar a correnteza? Ele continua. Continua remando até que se torna apenas um pontinho no meio do mar. Volto a olhar as ondas.
Desço, caminho um pouco pela beira da praia. Água e areia nos pés. Vejo as crianças brincando com suas pranchas e, como se eu já tivesse me esquecido, volta a bater forte esse “não desiste”.
Mesmo cansada, mesmo quando as forças parecem ter acabado, não desisto e não me esqueço. Suas palavras estão comigo como um pingente. Às vezes penso até que são o leme desse barco.